A quinta rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira (29/6), traz boas e más notícias tanto para o Planalto quanto para o QG bolsonarista.
A percepção predominante entre os eleitores é a de que o caso Master representa um escândalo de corrupção sistêmica, que atinge a política como um todo. O levantamento revela que 35% dos entrevistados associam o episódio tanto ao grupo político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A distribuição das respostas indica um desgaste mais intenso para o campo bolsonarista. A percepção de que o escândalo do Master é mais ligado ao grupo de Flávio é compartilhada por 32% dos entrevistados, enquanto para 23% o caso é mais ligado ao grupo de Lula.
Esta é a primeira pesquisa realizada depois da operação contra o agora ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), realizada no dia 18 de junho. Segundo os dados do levantamento, apenas 24% dos entrevistados não ouviram falar da operação contra Wagner.
Os indicadores de rejeição absoluta mudaram de direção. Lula, que vinha reduzindo sua taxa de rejeição desde maio, após a divulgação da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, oscilou de 47% para 49%. Isso reduz uma das vantagens competitivas que o presidente havia acumulado nas últimas rodadas.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, registrou movimento inverso: sua rejeição recuou de 52% para 51%. Apesar de estatisticamente compatíveis com um cenário de estabilidade, os movimentos tornam o cenário menos favorável ao presidente do que na pesquisa anterior.
Outro indicador que mudou de direção foi o de aprovação do governo. Depois de uma sequência de melhora, a desaprovação de Lula voltou a oscilar para cima, anulando o saldo positivo registrado na rodada anterior. A aprovação e a desaprovação voltaram a empatar em 48%, fazendo a aprovação líquida do presidente retornar de dois pontos positivos para zero.
Os movimentos capturados no levantamento deste fim de semana sugerem que os ganhos e perdas acabaram parcialmente compensados. Enquanto o Caso Banco Master produziu um desgaste relativamente maior para o campo bolsonarista, a operação envolvendo Jaques Wagner interrompeu a melhora que Lula vinha registrando nos indicadores de rejeição e aprovação.
A pesquisa ouviu 2.009 pessoas entre os dias 26 e 28 de junho em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08521/2026.