A quinta rodada da pesquisa BTG/Nexus indica poucas mudanças no cenário eleitoral, mesmo após uma sequência de episódios com potencial para desgastar tanto o governo quanto a oposição. Lula mantém a liderança da corrida presidencial, mas a recuperação de um ponto de Flávio Bolsonaro reduziu ligeiramente a distância entre os dois candidatos.
No principal cenário de primeiro turno, Lula manteve 42% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) avançou de 33% para 34%. A distância entre os dois passou de nove para oito pontos percentuais, preservando a vantagem do presidente, mas interrompendo o movimento de ampliação observado nas últimas rodadas.
Os demais candidatos seguem distantes da polarização. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, Renan Santos (Missão) registra 4%, Romeu Zema (Novo) soma 3%, enquanto Joaquim Barbosa (DC), Augusto Cury (Avante), Aécio Neves (PSDB) e Cabo Daciolo (Mobiliza) alcançam 1% cada. Brancos, nulos e indecisos somam 8%.
Os números reforçam que a disputa continua concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, responsáveis por 76% das intenções de voto. Apesar da presença de nomes alternativos, nenhum deles demonstra capacidade de romper a dinâmica bipolar que marca a sucessão presidencial.
No voto espontâneo, Lula amplia a vantagem sobre Flávio Bolsonaro e reforça posição de favorito. O presidente é citado por 33% dos entrevistados, ante 26% registrados na rodada anterior, enquanto o senador Flávio Bolsonaro oscilou de 19% para 20%. A diferença entre os dois passou de sete para 13 pontos percentuais, o maior intervalo da série histórica.
Ao mesmo tempo, caiu de 33% para 26% o contingente de eleitores que ainda não sabe em quem votar ou prefere não responder, indicando que parte dos indecisos começa a migrar para candidaturas já consolidadas.
Eleitorado mais consolidado
Outro sinal relevante da pesquisa é o aumento da cristalização das preferências eleitorais. Entre os entrevistados que já escolheram um candidato, 74% afirmam que sua decisão está tomada e não deve mudar até a eleição, o maior percentual da série histórica. Apenas 25% dizem que ainda podem alterar o voto.
Entre os eleitores de Lula, 83% afirmam que o voto é definitivo. No eleitorado de Flávio Bolsonaro, esse percentual chega a 76%. A tendência indica que, à medida que a campanha avança, o espaço para mudanças espontâneas nas intenções de voto tende a diminuir.
Segundo turno segue favorável a Lula
Nas simulações de segundo turno, Lula continua à frente de todos os adversários testados, embora com uma margem menor diante de Flávio Bolsonaro.
No principal confronto, Lula aparece com 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Em relação à rodada anterior, o presidente recuou dois pontos (de 49% para 47%), enquanto o senador avançou um ponto (de 43% para 44%), reduzindo a diferença de seis para três pontos percentuais.
Nos demais cenários, Lula mantém vantagem mais confortável: vence Romeu Zema por 48% a 38%, Ronaldo Caiado por 47% a 39% e Renan Santos por 48% a 36%.
Os dados sugerem que, embora o principal adversário tenha recuperado parte do terreno perdido, o presidente segue como favorito em todos os cenários testados de segundo turno.
Lula leva vantagem entre não partidários
Entre os eleitores que se declaram “lulistas convictos”, 87% votam em Lula no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Entre os “bolsonaristas convictos”, 75% permanecem com o senador. Já entre os eleitores que veem Lula ou Bolsonaro apenas como alternativa, a migração de votos continua favorecendo o presidente em maior intensidade.
Rejeição pesa sobre Flávio Bolsonaro
Os indicadores de rejeição seguem desfavoráveis a Flávio Bolsonaro. O senador registra 51% de rejeição, dois pontos acima dos 49% de Lula, o que restringe sua capacidade de conquistar eleitores fora de sua base.
Embora a diferença permaneça favorável ao presidente, a trajetória dos dois candidatos mudou nesta rodada: Flávio reduziu sua rejeição em um ponto percentual em relação ao levantamento anterior, enquanto a de Lula subiu dois pontos. O movimento estreitou a distância entre ambos, ainda que o candidato do PL continue enfrentando uma barreira maior para ampliar seu eleitorado além da base bolsonarista.
A pesquisa ouviu 2.009 pessoas entre os dias 26 e 28 de junho em todo o país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08521/2026.