O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (3/2) a ata das reuniões da última semana que mantiveram a taxa de juros em 15% ao ano. No documento, o Comitê manteve a sinalização de que pode começar a cortar a Selic a partir da próxima reunião, prevista para março. Apesar disso, o órgão não especificou o tamanho do corte, que pode variar de uma redução de 0,25 ponto percentual para uma queda mais forte, de 0,5 ponto percentual.
O Copom destacou que a análise de informações, incluindo a dinâmica recente da queda da inflação, possibilitou a sinalização do “início de um ciclo de redução da taxa de juros em sua próxima reunião”. Ao mesmo tempo, o órgão reafirmou “a necessidade da manutenção do patamar de juros em níveis restritivos, até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas à meta”.
De acordo com o Comitê, a taxa de juros deverá entrar no ciclo de redução caso seja “mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária”. O Copom decidiu que o ritmo e a duração dos cortes serão definidos aos poucos, conforme surgirem novos dados e informações sobre o cenário atual, “no qual sinais mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica e seus efeitos sobre o nível de preços ainda dificultam a identificação de tendências claras”.
No balanço de riscos, o colegiado avaliou que “o cenário segue apresentando riscos mais elevados do que o usual tanto de alta quanto de baixa para o cenário de inflação em prazos mais longos, com alguma redução das incertezas concentradas nos horizontes mais próximos”.
O Comitê avaliou que, entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se “uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado; uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo; e uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.
Sobre a redução da inflação, o colegiado entendeu que “a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities contribuiu para redução nas inflação de bens industrializados e alimentos”. A inflação de serviços também teve queda, apesar de se manter resiliente “respondendo a um mercado de trabalho que segue dinâmico e a uma atividade que tem apresentado moderação gradual”.
Apesar disso, na análise do Comitê, “de um lado, a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado e, de outro, a interpretação de que a política monetária tem contribuído de forma determinante para a desinflação observada”.
No cenário de referência, as projeções para a inflação acumulada em quatro trimestres para 2026 e para o terceiro trimestre de 2027, são, respectivamente, 3,4% e 3,2%.