O contrato firmado nesta quinta-feira (16/10) entre a Índia e a Petrobras prevê um volume total de venda de até seis milhões de barris por ano e terá início já em 2025. O anúncio foi feito pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que está em Nova Deli em grande missão empresarial. Este era um dos itens da pauta comercial que o Brasil quer explorar com os indianos, como antecipou o JOTA. A tendência é que esse volume aumente ao longo do tempo.
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Sob pressão dos EUA de Trump, a Índia está atrás de novos fornecedores de petróleo e isso abre novas possibilidades para a empresa no imenso mercado indiano. Como o Brasil, Deli recebeu o maior percentual do tarifaço: 50%. E 25% foram justificados por Washington pelo fato de o país importar combustíveis da Rússia.
Recentemente, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a Índia garantiu que interromperia suas compras para ajudar a encerrar a guerra na Ucrânia. Essa é uma das condições impostas pelos americanos no âmbito das negociações sobre tarifas.
Mas os EUA não estão interessados só na redução das importações dos indianos do petróleo russo. Eles também querem disputar o mercado. Em nota, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores daquele país disse que Deli está buscando uma cooperação energética mais profunda com os americanos. ”O atual governo (dos EUA) demonstrou interesse em aprofundar a cooperação energética com a Índia. As discussões estão em andamento”, disse Randhir Jaiswal em um comunicado.
Em nota, a Petrobras informou que a Índia foi, em 2024, o destino de 4% das suas exportações de petróleo. “Com um potencial incremento em sua demanda energética, impulsionado por um robusto crescimento econômico, a Índia continua sendo um destino relevante para o petróleo brasileiro”, diz o documento.
A Índia foi o terceiro maior importador do mundo, com cerca de 85% de sua demanda suprida por importações no ano passado.
Índia e China são os maiores compradores de petróleo bruto russo transportado por via marítima, aproveitando os preços reduzidos que a Rússia foi forçada a oferecer após perder vendas para a Europa após a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022.
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Também como antecipou o JOTA, o Brasil vai passar a conceder vistos eletrônicos nas áreas de negócios e consultorias aos indianos em reciprocidade a Deli, que já o faz para brasileiros.
Segundo Alckmin, os dois países também firmaram um entendimento para que, nos próximos meses, ampliem o comércio Mercosul-Índia. Hoje, existe um acordo de preferências tarifárias, mas que cobre número pequeno de linhas.O governo quer ampliar o comércio com a Índia dos atuais cerca de US$ 12 bilhões para US$ 20 bilhões.
Hoje, desembarca em Deli o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que, segundo Alckmin, vai tratar de parcerias e negócios nos segmentos de vacinas e farmacêuticos.