Renovar benefícios para dispositivos IoT fortalece competitividade brasileira

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Em um mundo cada vez mais digital, a produtividade de um país depende largamente da sua capacidade de acompanhar a fronteira tecnológica. No centro dessa transformação está a Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês), que conecta objetos à internet por meio de sensores e dispositivos inteligentes, permitindo automação, monitoramento, manutenção preditiva, controle de qualidade e gestão de energia em praticamente todos os setores da economia.

A IoT não é um conceito futurista. Ela já está presente em fábricas que utilizam sensores para prever falhas em máquinas, em lavouras irrigadas automaticamente conforme a umidade do solo, em hospitais que monitoram pacientes a distância e até no varejo, onde sistemas inteligentes controlam estoques e consumo de energia.

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É uma tecnologia que amplia a eficiência e reduz custos, tornando os processos mais competitivos e sustentáveis. Esse ganho de eficiência se traduz diretamente em aumento de produtividade. Estudos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que dobrar o número de dispositivos conectados eleva a produtividade em 4,5%.

Reconhecendo o papel estratégico da IoT para a produtividade, o Brasil aprovou em 2020 a Lei 14.108, que desonerou dispositivos IoT de quatro taxas setoriais (TFI, TFF, CFRP e Condecine) até o fim de 2025. A medida nasceu do diagnóstico de que esses encargos, cobrados por dispositivo, comprometiam a expansão massiva da tecnologia e os ganhos econômicos a ela associados.

Passados quatro anos de vigência, os resultados são positivos e expressivos. De acordo com levantamento feito pela ECOA Consultoria Econômica, o número de dispositivos IoT no país cresceu 150% entre 2020 e 2024, passando de 10,4 milhões para 26 milhões. São 15 milhões a mais de dispositivos conectados, gerando ganhos de eficiência em setores como indústria, agropecuária, serviços e saúde.

Mesmo assim, o Brasil ainda está distante da média internacional. Há no país 20,4 dispositivos IoT para cada 100 habitantes, menos da metade da média das nações da OCDE (49,6). Ao mesmo tempo, há amplo espaço para expansão de IoT em todos os setores da economia, com destaque para a indústria da transformação, onde apenas 11% das empresas adotam a tecnologia, como mostra o estudo. A manutenção e ampliação dos incentivos são, portanto, fundamentais para que o Brasil não fique para trás na economia digital. A experiência internacional mostra que essa é a direção correta.

Nos Estados Unidos, há fomento à pesquisa, desenvolvimento e inovação em IoT e verbas federais destinadas a projetos de infraestrutura inteligente. O Canadá aposta em subsídios e linhas de crédito para empresas que integrem IoT a seus processos, bem como em fundos governamentais voltados à inovação. Na Coreia do Sul, a manufatura inteligente é parte da agenda econômica, com deduções fiscais e vouchers que estimulam pequenas empresas a adotarem tecnologias conectadas.

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O Japão oferece crédito facilitado e deduções fiscais para empresas que investem em pesquisa e desenvolvimento tecnológico e digitalização. Já a China trata a IoT como um dos eixos centrais de sua política industrial, combinando isenção tributária com políticas agressivas de crédito e subsídio à produção e uso de tecnologias inteligentes.

Em um país cuja produtividade por hora trabalhada é de apenas US$ 22, frente a US$ 36,02 no Chile, US$ 72 na Espanha e quase US$ 100 nos Estados Unidos, e que ocupa a 75ª posição na adoção de tecnologias futuras em um ranking de 133 países, políticas que estimulam a eficiência são essenciais para sustentar o crescimento.

Nesse sentido, renovar a política de desoneração da IoT até 2030, como propõe o PL 4635/2024, é uma decisão estratégica. Mais do que manter um incentivo setorial, trata-se de investir em competitividade, inovação e no aumento da capacidade produtiva do país. A tecnologia não espera. E, sem ela, a economia também não avança.