Lula é aprovado no Ceará, mas disputa estadual eleva o risco, diz Instituto França

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Pesquisa do Instituto França, realizada no Ceará entre 20 e 23 de dezembro, com 1.536 eleitores, mostra um cenário favorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no estado, mas com sinais evidentes de desgaste, expressos no baixo índice de aprovação presidencial no estado que é historicamente identificado como reduto lulista: 52% aprovam a gestão federal, enquanto 38% desaprovam. 

Na avaliação qualitativa, a gestão Lula é classificada como ótima ou boa por 42%, frente a 37% que a avaliam como ruim ou péssima. Chama atenção, no entanto, o peso isolado da avaliação “péssima” (24%), indicador de rejeição concentrada mesmo em um ambiente majoritariamente favorável. Outros 17% consideram o governo regular, sugerindo espaço limitado, porém existente, para disputa de opinião em 2026.

Governo do Ceará

No plano estadual, o governador Elmano de Freitas (PT) apresenta desempenho superior ao do presidente em termos de aprovação. Sua gestão é aprovada por 57% dos entrevistados, enquanto 37,7% desaprovam. Na régua da avaliação, 39% classificam o governo como ótimo ou bom, 19,4% como regular, e 23,7% como ruim ou péssimo.

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Os números mostram que o governador dispõe de um patamar elevado de aprovação, mas enfrenta risco eleitoral elevado: os índices positivos não se traduzem em intenção de voto para a reeleição, mantendo sinal de alerta no QG petista e expondo as dúvidas internas sobre a viabilidade de insistir em sua reeleição.

Cenários eleitorais

O instituto testou dois cenários de primeiro turno para o governo do Ceará, alternando o nome do atual governador Elmano de Freitas (PT) pelo do ex-governador e ministro da Educação Camilo Santana (PT).

No cenário com Elmano, Ciro Gomes (PSDB) aparece numericamente à frente, com 37%, contra 31% do governador. O resultado indica que Elmano é competitivo, mas enfrenta risco eleitoral real, ao registrar intenção de voto inferior ao seu índice de aprovação.

Já no cenário alternativo com Camilo Santana, o quadro se inverte. Camilo lidera com 39%, abrindo vantagem sobre Ciro, que registra 27%. O desempenho de Camilo sugere forte recall eleitoral de sua gestão e associação mais forte com o lulismo no estado.

Em ambos os cenários, o senador Eduardo Girão (Novo) —que recebeu apoio de Michelle Bolsonaro —aparece como terceira força, na faixa de 11% a 13% das intenções de voto. Ele não demonstra, nos cenários testados, capacidade de romper a polarização principal nem de se aproximar dos líderes, o que reduz suas chances de ir ao segundo turno. Mas na prática, Girão retira densidade eleitoral do campo antipetista, hoje liderado por Ciro Gomes.

Os indecisos e votos brancos/nulos seguem numericamente relevantes, oscilando entre 19% e 22%. Em um cenário de disputa acirrada entre Ciro Gomes e qualquer nome do PT, esse contingente se torna um ativo estratégico para a disputa, com potencial para definir a ordem de chegada no segundo turno.

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Outro indicador que reforça a leitura de que a disputa no Ceará será emocionante é a intenção de voto espontânea, quando o eleitor declara em quem pretende votar sem receber qualquer lista ou estímulo prévio de nomes. Nesse formato, o alto nível de indefinição (58%), revela que o jogo ainda está completamente aberto. 

Na avaliação de Willan França — diretor do instituto —, uma disputa direta entre o atual governador, Elmano de Freitas  e Ciro Gomes representa um risco elevado que o PT talvez não esteja disposto a correr em 2026, o que ajuda a explicar a aposta no retorno de Camilo Santana.

O cenário se torna ainda mais delicado diante da possibilidade do PL apoiar Ciro, ampliando sua força eleitoral e transformando a disputa em uma eleição de alto risco, na qual o PT teria de entrar com sua candidatura mais forte e sem margem para erro.