A preocupação com o cenário fiscal e com a diminuição do ritmo de redução da Selic pelo Banco Central leva o governo a considerar rever gastos já em 2027 caso Lula seja reeleito, Fábio Pupo e Marianna Holanda explicam na nota 1.
O tema econômico também tem estado mais presente nas pré-campanhas da oposição, mostra a nota 2. Flávio Bolsonaro reforçou sua promessa de suspender a reforma tributária e disse que vai reduzir o IVA para 20% caso seja eleito.
E uma operação da Polícia Federal na manhã de hoje (23) levou ao bloqueio de R$ 670 milhões do Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal.
Boa leitura!
O PONTO CENTRAL
1. Fechando as comportas
O governo passou a considerar uma mudança na trajetória dos gastos públicos para o exercício de 2027 caso Lula (PT) seja reeleito, Fábio Pupo e Marianna Holanda escrevem no JOTA PRO Poder.
- O tema ainda é tratado com discrição devido à campanha eleitoral, mas há possibilidade de avançar com mais força logo depois do pleito de outubro.
- A proposta de Orçamento de 2027 deve ser enviada pelo Executivo ao Congresso normalmente, sem alterações em relação ao que já foi anunciado pelo governo.
- No entanto, em caso de reeleição, o projeto poderia ser revisto em parceria com o Legislativo.
- Ainda não se sabe qual seria o novo ritmo de crescimento previsto no arcabouço fiscal, tópico que promete gerar muitas discussões no governo.
- Parte da equipe econômica defende redução em relação ao patamar atual de crescimento real de 2,5% ao ano.
🔭 Panorama A preocupação com o cenário fiscal e com a reação do mercado financeiro não é gratuita: o Banco Central terá que encerrar o ciclo de afrouxamento monetário muito antes do imaginado, e as taxas negociadas no longo prazo têm ficado sob pressão.
- O mercado estima hoje que a Selic vai encerrar 2026 em 14%, em vez dos 12,25% previstos até o começo do ano.
- No comunicado da semana passada, a diretoria do BC citou o incentivo à demanda como fator de pressão sobre os preços, em menção indireta às várias medidas adotadas pelo governo desde o início do ano.
Sim, mas… Também há na equipe quem resista a cortes de gastos, já que revisão em bandeiras históricas do petismo — como Saúde, Educação e Previdência — pode ser interpretada como estelionato eleitoral.
UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA (CNI, SESI, SENAI, IEL)
SB COP leva agenda climática à London Climate Action Week

A Sustainable Business COP (SB COP), liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), leva à London Climate Action Week (LCAW), nesta semana, uma programação focada no fortalecimento da atuação do setor privado na implementação da agenda climática global.
A iniciativa vai promover debates sobre descarbonização da indústria, financiamento climático, combustíveis sustentáveis e qualificação da força de trabalho para a transição verde, com o objetivo de impulsionar coalizões para a COP31.
“A transição para uma economia de baixo carbono exige uma capacidade de implementação, em grande medida, do setor produtivo. O desafio é transformar a experiência de mais de 40 milhões de empresas que integram a SB COP em contribuições relevantes para o desenho das políticas climáticas globais”, afirma o superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Davi Bomtempo.
2. Parem as máquinas

Flávio Bolsonaro prometeu suspender a atual reforma tributária em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Daniel Marques Vieira escreve no JOTA.
- Segundo ele, sua posição não seria contra a ideia da reforma em si, mas a favor de rever o regramento aprovado pelo Congresso e reduzir o IVA a 20%.
- Na avaliação do pré-candidato, a mudança nas regras teria sido afetada pelo lobby de grandes setores econômicos.
- Flávio defendeu também o corte de gastos como forma de reduzir a taxa de juros.
Outra promessa foi promover uma desregulamentação geral sobre a atuação das empresas, que vem chamando de “tesouraço”.
- Parte disso seria a redução da regulamentação ambiental do país para facilitar o licenciamento de empreendimentos.
Aliás… No mesmo evento, o ex-governador Romeu Zema (Novo) defendeu a geração de empregos para homens jovens, alegando que o foco das mulheres seria a família e os afazeres domésticos, Maria Eduarda Portela escreve no JOTA.
- “Primeiro, eu lido muito com homens. As mulheres têm outras atribuições em casa, têm filhos, têm uma diferença muito grande com relação aos homens”, disse o pré-candidato à presidência.
3. Repassando

O ministro Alexandre de Moraes devolveu à presidência do STF a investigação sobre Flávio Bolsonaro e os valores doados por Daniel Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro, Flávia Maia escreve no JOTA.
- O presidente do Supremo, Edson Fachin, agora terá que escolher um novo relator.
- Tanto advogados de Flávio quanto a PGR pediram que a investigação fique com o ministro André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master.
- Segundo diálogos obtidos pela Polícia Federal, Flávio negociou R$ 134 milhões em financiamento com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
- Moraes tinha ficado com a relatoria porque a notícia-crime sobre o tema foi anexada ao inquérito que culminou na condenação de Eduardo Bolsonaro na semana passada.
4. E o palanque?

Com as desistências de Paulo Serra (PSDB) e Kim Kataguiri (Missão) de disputar o governo de São Paulo, aumenta a possibilidade da eleição no estado ser decidida no primeiro turno, Beto Bombig analisa no JOTA PRO Poder.
- O cenário elevou a tensão no PT paulista e na campanha de Lula, que pediu ao partido uma estratégia para evitar que o presidente fique sem palanque no estado.
- A estratégia eleitoral em São Paulo até agora tem Fernando Haddad como defensor do presidente até o último minuto — missão encarada por muitos como “sacrifício” por uma causa maior, a reeleição de Lula.
🔭Panorama Outro efeito da renúncia de Serra deverá ser sentido na campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que agora pode avançar nas negociações com o PSDB.
- Caso a adesão se confirme, estará formada a maior frente de centro-direita das eleições para o governo de São Paulo desde a redemocratização.
5. Radar regulatório

O Congresso discute ao menos 13 propostas regulatórias relacionadas ao sistema financeiro com alguma possibilidade de avanço, Daniel Marques Vieira e Gabriel Shinohara revelam em levantamento do JOTA PRO Poder.
- A PEC da autonomia financeira do BC é uma das propostas.
- Os textos também tratam da segurança do setor, do funcionamento de autarquias públicas e da regulação de temas mais recentes, como criptomoedas e Pix.
- A tramitação é acompanhada de perto pelo governo, pelo Banco Central e por instituições financeiras, que atuam para impulsionar ou conter o avanço das matérias.
6. Jornada negociada

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse a empresários que ajustes nas jornadas decorrentes do fim da escala 6×1, caso a PEC seja aprovada, poderão ser definidos por convenções coletivas, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Trabalhista.
Por que importa: A sinalização busca responder a dúvidas de setores que operam com escalas diferentes da jornada 5×2 e dependem de funcionamento contínuo.
- A discussão afeta áreas como saúde, segurança e abastecimento.
7. Futuro da coalizão

A eleição de Abelardo de la Espriella para a Presidência da Colômbia pode comprometer os resultados da primeira conferência sobre a transição dos combustíveis fósseis, realizada em abril em Santa Marta, Vivian Oswald escreve no JOTA.
- O encontro reuniu 57 países e surgiu a partir de articulações da COP30, em Belém, com forte impulso do governo de Gustavo Petro.
- Há expectativa de que o novo governo colombiano abandone a coalizão.
Por que importa A saída de um dos principais articuladores da iniciativa pode enfraquecer o esforço político para manter o tema em evidência nas próximas conferências climáticas.
- A segunda conferência sobre a transição energética será realizada em Tuvalu, em 2027, com coorganização da Irlanda.