JOTA Principal: Flávio Bolsonaro concentra esforços no Sudeste e tenta conter desgastes

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Flávio Bolsonaro resolveu concentrar seus esforços no Sudeste nos próximos dias e tem agenda cheia de compromissos na região — especialmente ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O próprio lançamento da candidatura do senador será em São Paulo, no final de julho.

Flávio continua tendo que lidar com as reverberações de sua disputa com Michelle Bolsonaro. A briga influencia a escolha para vice e gera atrito entre bolsonaristas nas redes sociais.

Boa leitura.


O PONTO CENTRAL

1. Jogando em casa

Após crises causadas por seu envolvimento com Daniel Vorcado e por vídeo publicado por Michelle, Flávio Bolsonaro concentra a agenda no Sudeste para conter o desgaste e ganhar fôlego nas pesquisas, Marianna Holanda e Daniel Marcelino analisam no JOTA PRO Poder.

  • O senador busca reconquistar terreno mais fácil, em vez de insistir no Nordeste, onde sua rejeição é maior.

🔍Panorama Flávio também busca recuperar o terreno perdido nos últimos meses.

  • No consenso das pesquisas, o senador recuou de 54% para 49% no Sudeste entre maio e junho.
  • A avaliação é que cada ponto adicional conquistado no Sudeste tende a gerar um retorno eleitoral maior do que um esforço equivalente no Nordeste.

Sim, mas… O Nordeste pode ter perdido prioridade, mas ainda segue no radar. A ideia é que candidatos ao Senado ou ao governo na região possam intensificar a campanha no lugar de Flávio.

  • A possibilidade de uma vice nordestina ajudaria a atingir esse objetivo. Mas a principal cotada era Priscila Costa, vereadora do PL em Fortaleza, que foi personagem central da crise entre Michelle e Flávio.
  • Apesar do pedido da madrasta e presidente do PL Mulher, o diretório estadual e o nacional avaliaram que seria melhor apoiar Ciro Gomes (PSDB) e lançar, na vaga ao Senado, o pai do deputado André Fernandes (PL-CE), em vez de Priscila.
  • Entre os nomes testados nas pesquisas, ela era a que melhor pontuava ao lado de Flávio. Mas adversários veem como improvável que ela seja alçada à vaga de vice agora.

UMA MENSAGEM DA TAKEDA BRASIL

A experiência do paciente no centro das políticas de saúde

Legenda: Pesquisadora Verônica Stasiak, o oncologista Sandro Martins, e o advogado Rogério Scarabel / Crédito: Leo Orestes

A centralidade do paciente é essencial nas decisões e na incorporação de tratamentos, tanto na saúde pública quanto na suplementar. A vivência do usuário complementa as evidências na ATS (Avaliação de Tecnologias em Saúde, que analisa eficácia, segurança e custo de tratamentos). Na saúde privada, modelos baseados em valor reforçam o foco em desfechos relevantes ao paciente. Para garantir essa escuta qualificada, especialistas ressaltam que:

  • o uso de consultas públicas deve priorizar qualidade da informação e evidências;
  • é fundamental ampliar o uso de indicadores baseados na experiência relatada pelo paciente; e
  • o fortalecimento do sistema depende da atuação ativa de todos os elos na melhoria do cuidado.

O protagonismo da sociedade e o aprimoramento contínuo da jornada do paciente guiaram as discussões de encerramento da 6ª edição do Blueprint for Success Brazil Summit.


2. Reverberações

A senadora Damares Alves / Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado

A senadora Damares Alves e Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo Bolsonaro no “exílio” nos EUA, protagonizaram mais uma rusga entre o entorno de Flávio e aliados de Michelle Bolsonaro, Iago Bolívar escreve no JOTA PRO Poder.

  • A senadora disse, em uma entrevista, que ainda não havia decidido se participaria do encontro de mulheres anunciado por Flávio para quarta (1º).
  • Figueiredo então publicou nas redes: “Se fosse da Janja ou da Maria do Rosário, estariam todas unidas, certo?”.
  • Damares respondeu, dando início a uma troca de mensagens com alfinetadas de lado a lado.
  • Nos grupos bolsonaristas, a maioria ficou ao lado de Figueiredo, apoiando a visão dele contra políticas em favor de cotas para candidaturas de mulheres.

3. Segundo tempo

O ministro da Fazenda Dario Durigan / Crédito: Washington Costa/MF

O presidente Lula e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, lançaram ontem (29) a nova fase do Desenrola, voltada para quem não está inadimplente, e novas iniciativas para estudantes do Fies, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.

  • O Desenrola Adimplentes terá trabalhadores informais como público-alvo e a estimativa é que atenda cerca de 200 mil famílias.
  • Serão elegíveis operações com ao menos quatro parcelas pagas, em dia ou com no máximo 90 dias de atraso e saldo de até R$ 15 mil. A renegociação terá taxa máxima de 1,99% ao mês.
  • Já o lançamento para os usuários do Fies é voltado tanto para a quitação de dívidas quanto para conceder crédito a graduados que buscam empreender.

Sim, mas… Como contrapartida, os beneficiários dos dois programas terão o CPF bloqueado em plataformas de apostas por seis meses.

🔭 Panorama O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, afirmou que o governo teve interlocução com os bancos para formular os novos programas e que a Caixa e o Banco do Brasil sinalizaram adesão — ele não citou os bancos privados.

  • Diferentemente das fases anteriores do Desenrola, a atual pode encontrar mais resistência das instituições financeiras.
  • Na etapa anterior, havia um incentivo para os bancos, que conseguiam reduzir os indicadores de inadimplência em seus balanços. Agora, com clientes que pagam em dia, a lógica é diferente.

Aliás… Durigan disse que as medidas anunciadas não devem causar preocupação quanto à política monetária, e analisá-las dessa forma seria uma “enorme forçação de barra”.

  • Na semana passada, o Banco Central voltou a afirmar que estímulos à demanda representam um risco para a inflação.

4. Antes do apito

Lula visto através de uma tela de celular / Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República

O governo Lula ampliou os gastos com propaganda no primeiro semestre deste ano, destinando R$ 520 milhões do orçamento à comunicação.

  • O valor é mais do que o dobro do que foi gasto por Jair Bolsonaro entre janeiro e junho de 2022, quando também buscava a reeleição, mostra levantamento feito pela Folha de S. Paulo (com paywall).
  • A comunicação do governo em ano de eleição é concentrada no primeiro semestre porque, a partir de julho, a legislação eleitoral impõe travas aos gastos com publicidade.
  • O governo afirmou que as despesas seguem os limites estabelecidos por lei e que comparações entre governos distintos devem considerar as especificidades e as necessidades de campanhas de utilidade pública de cada período.

5. Cartão vermelho

Máscaras sobre um fundo vermelho / Crédito: Pixabay

O STF validou uma lei da Bahia que pune com multa de R$ 5 mil a R$ 20 mil quem divulgar informações falsas sobre epidemias, endemias e pandemias no estado, Lucas Mendes escreve no JOTA PRO.

  • A legislação foi editada na época da pandemia de Covid-19 e estava sendo contestada pelo PL.
  • A norma vale para divulgações sem citação da fonte primária da informação em televisão, rádio, impressos e na internet.
  • Não são punidas as publicações jornalísticas “devidamente assinadas” e textos de opinião pessoal, “desde que evidenciado o caráter opinativo”

Por que importa A legitimação pelo Supremo abre a porta para legislações de outros estados sobre a divulgação de informações sobre saúde.

  • A regulamentação de atividades de telecomunicações e radiodifusão é tema reservado à legislação federal.
  • No entanto, a maioria dos ministros entendeu que os estados têm competência para a proteção e defesa da saúde.

6. Fora do Teto

Ministros do STF em sessão plenária / Crédito: Luiz Silveira/STF

O Supremo decidiu que os valores obtidos pelo Ministério Público da União como receitas próprias ou fruto de convênios ou contratos não estão sujeitos ao teto de gastos estabelecido pelo arcabouço fiscal, Lucas Mendes escreve no JOTA PRO.

  • A decisão segue a necessidade de manter a simetria constitucional entre Ministério Público e Judiciário, uma vez que uma decisão de 2025 já havia retirado as receitas próprias dos órgãos da Justiça do limite fiscal.
  • A estimativa é que essa verba do MPU corresponda a R$ 304 milhões em 2026. O orçamento global destinado ao órgão no ano é de R$ 6,1 bilhões.