Flávio Bolsonaro acumula desafios e pode ter a campanha no Rio de Janeiro, seu berço eleitoral, prejudicada por indefinição sobre o comando do Estado, na nota 1.
No entanto, apesar de muitos desgastes — incluindo seu envolvimento no caso Master e a recente briga pública com Michelle — o senador se consolidou como herdeiro do bolsonarismo entre o eleitorado de direita, mostra recorte da pesquisa AtlasIntel na nota 2.
Boa leitura.
O PONTO CENTRAL
1. Crise em casa
A demora do STF em definir o formato da eleição para mandato-tampão do governo do Rio de Janeiro cria um cenário que tende a prejudicar a campanha de Flávio Bolsonaro em seu berço eleitoral, Daniel Marcelino, Flávia Maia e Marianna Holanda escrevem no JOTA PRO Poder.
- O comando do estado continua com o desembargador Ricardo Couto, o que afasta o PL da administração fluminense.
- Com isso, Flávio perde a força da máquina pública, enquanto as pesquisas apontam recuo do presidenciável no estado.
- O principal palanque está ao lado de Lula: o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), aliado do presidente, lidera a disputa pelo governo do Rio de Janeiro com cerca de 43% das intenções de voto, enquanto o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro registra 11%
- A isso se somam o desgaste do PL nas investigações da PF e a disputa em aberto por uma vaga ao Senado, deixando o bolsonarismo fluminense mais fragilizado às vésperas de outubro.
🔮O que observar A indefinição se estende pelo menos até agosto, uma vez que o ministro Flávio Dino devolveu os autos à presidência um dia antes do início do recesso do Judiciário.
- Nos bastidores do Supremo e das campanhas, já é dado que não haverá tempo para a eleição direta ocorrer por conta da proximidade das eleições gerais, em outubro.
- A verdadeira disputa no STF vai ser se Douglas Ruas (PL-RJ), candidato ao governo estadual e atual presidente da Alerj, pode assumir ou não uma cadeira no Palácio Guanabara até o fim de 2026.
UMA MENSAGEM DA TAKEDA BRASIL
Avanços da pesquisa clínica no Brasil

O Brasil tem grande potencial para acelerar a pesquisa clínica global. A afirmação foi feita por Vivian Kiran Lee, diretora médica da Takeda, na 6ª edição do Blueprint for Success Brazil Summit, realizada em março, em São Paulo.
- A revista Science aponta o país como um dos com maior diversidade genética do mundo.
- Apesar desse cenário, o Brasil concentra apenas cerca de 2% dos estudos clínicos realizados no planeta.
- Esse contexto começa a mudar com o avanço da Lei 14.874/2024 – a chamada Lei de Pesquisa Clínica –, que trouxe mais previsibilidade e segurança para a condução de estudos.
“Mais estudos clínicos estão chegando ao país. Essa é uma notícia positiva para os pacientes que poderão ter acesso às novas tecnologias”, destacou Lee.
2. O herdeiro e a madrasta

Flávio Bolsonaro consolidou posição como presidenciável e herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro entre o eleitorado de direita, Daniel Marcelino escreve no JOTA.
- Um recorte da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgado ontem (2) mostra que 43,2% dos eleitores conservadores apontam Flávio como o melhor nome para liderar o campo.
- Isso o coloca bem à frente de Nikolas Ferreira (18,4%), Renan Santos (14,5%) e Tarcísio de Freitas (8,6%). Michelle Bolsonaro é citada por 3,9% dos entrevistados.
A sondagem foi realizada após a repercussão do vídeo divulgado por Michelle Bolsonaro no qual ela faz críticas políticas e pessoais a Flávio Bolsonaro.
- Segundo a pesquisa, 78% dos entrevistados assistiram ao vídeo e 51% aprovaram a divulgação.
- Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, porém, predomina a desaprovação, com 65,6% contrários.
Por que importa Os números reforçam a avaliação sobre a relevância de Michelle para a campanha de Flávio. Para 55,4%, seu apoio ativo à candidatura do enteado seria “muito importante” ou “importante”.
3. No azul

O conjunto das 44 estatais federais fechou 2025 com lucro líquido agregado de R$ 169,4 bilhões, alta de 45% em relação aos R$ 116,5 bilhões registrados em 2024, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
- O resultado foi alcançado mesmo com o resultado negativo dos Correios.
- O desempenho positivo foi puxado sobretudo por Petrobras, BNDES e Banco do Brasil, que juntas responderam por 90,9% do resultado do ano.
- A Petrobrás sozinha lucrou R$ 110,6 bilhões.
- Das 44 estatais, 29 apresentam lucro e 13, prejuízo. Outras 2 não apresentaram números.
4. Tudo que é demais

O governo federal calcula que o setor de energia vai gerar investimentos de R$ 3,5 trilhões até 2035 no Brasil, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
- O Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) 2035, aprovado ontem, projeta um investimento 9% maior com demanda puxada pela projeção de construção de data centers.
- A geração distribuída — sobretudo painéis solares instalados em telhados residenciais e comerciais — segue como uma das frentes de maior crescimento.
Sim, mas… O governo passou a classificar a expansão da energia solar centralizada como uma desvantagem para o país.
- Isso porque o excesso de geração durante o dia vem causando transtornos ao sistema e obrigando cortes na produção de energia para não haver apagões.
- O país já desperdiçou o equivalente a uma Belo Monte no ano passado por causa dessas interrupções (o chamado curtailment).
5. Reestruturação

O ministro do STF Flávio Dino aprovou integralmente o plano apresentado pela União para a reestruturação da operação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e disse que há necessidade de resgatar o órgão de ‘paralisia’, Flávia Maia escreve no JOTA. Por que importa: A CVM é responsável pela supervisão de valores superiores a R$ 18 trilhões. A autarquia vive um caos administrativo que vem causando prejuízos ao país, como o escândalo do Banco Master, disse Dino.
- Entre 2023 e 2025, a CVM arrecadou R$ 3,18 bilhões, mas somente R$ 845 milhões foram, de fato, para a autarquia.
- Dino determinou que pelo menos 70% da arrecadação deve ser direcionada à própria CVM.
🔭 Panorama Em junho, o ministro havia rejeitado parte da proposta do governo Lula por entender que as metas de redução de estoque processual e recomposição de pessoal eram insuficientes para a CVM funcionar plenamente.
- A rejeição gerou desconforto com o governo e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se encontrou pessoalmente com Dino para esclarecer os pontos de dúvida.
- A Advocacia-Geral da União (AGU) então apresentou um novo plano para atender aos pedidos de Dino.
6. De olho no jogo

O aumento da publicidade das plataformas de apostas esportivas online, as bets, foi alvo de críticas durante audiência pública no Senado ontem (2), Maria Eduarda Portela escreve no JOTA PRO Tecnologia.
- Os especialistas ouvidos defenderam restrições à divulgação desse tipo de plataforma e afirmaram que muitas das peças publicitárias são enganosas ou agressivas.
- Luiz Orsatti Filho, diretor-executivo do Procon São Paulo, apresentou dados que indicam que 68% dos brasileiros que apostam foram influenciados por propagandas ou patrocínios de times.
- Aproximadamente 82% das crianças e adolescentes, entre 9 e 17 anos, que estão nas redes sociais são expostos a esse tipo de publicidade.
OPINIÃO
7. Banco de Edir Macedo e mais
- O advogado e mestre em Direito Tributário Internacional pelo IBDT-SP José Andrés Lopes da Costa analisa o caso do banco Digimais, controlado por Edir Macedo e alvo da Polícia Federal por fraude. Ele argumenta que alguém que acabara de prescrever uma acusação de lesar o sistema financeiro receber o controle de um banco “parece uma crônica distópica”. “Controlar um banco não é um direito que se exerça por vontade própria, como quem abre uma padaria. É uma autorização, concedida pelo Estado no interesse de terceiros, daqueles que confiam à instituição o próprio dinheiro e que jamais foram consultados sobre quem o guardaria”, afirma. Leia mais.
- O diretor de Relações Institucionais do Instituto Sivis, Jamil Assis, afirma que o PL da regulação da concorrência em mercados digitais está mirando nas grandes plataformas, mas pode igualmente atingir os pequenos negócios. “Grandes plataformas absorvem obrigações regulatórias com departamentos jurídicos, equipes de produto e estruturas de governança dedicadas. Pequenos negócios não têm essa capacidade, eles não precisam ser destinatários diretos da norma para serem obrigados a se adaptar a ela.” Leia mais.
- “O problema central da classificação de organizações criminosas como terroristas reside menos no rótulo em si do que naquilo que ele autoriza: a expansão de mecanismos excepcionais de persecução penal, a erosão de limites conceituais do Direito Penal, a importação acrítica de modelos estrangeiros de segurança e flexibilização de preceitos centrais da soberania nacional”, escrevem os advogados criminalistas Bruno Salles Pereira Ribeiro e Fabrício Reis Costa. Leia mais.