11/03/2026 – Inspiração e vozes femininas marcam o Dia Internacional da Mulher no TRT-PR

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“Desde os 8 anos de idade, eu já sabia que queria ser escritora. Sempre escrevi poemas e participei de concursos de poesia na escola.” Com uma fala envolvente, a escritora Giovana Madalosso inspirou a plateia no evento “Sobre vivências”, no TRT-PR, ao detalhar como um sonho de infância se transformou em propósito de vida. Identificar seu lugar no mundo foi uma verdadeira jornada — o que ela chama de “encontro com a própria voz”.

“Quando olhamos para um artista, conseguimos perceber que há um jeito único de cada um ser, que ninguém pode copiar. Para alguns autores, essa busca demora dias; para outros, meses ou até uma vida inteira. Para mim, ela se revelou aos trinta e poucos anos”, disse.

Literatura

Durante um debate inspirador, Madalosso narrou sua trajetória profissional, que inclui passagens pelo jornalismo, por agências de publicidade, viagens e formação internacional como roteirista de séries. Foi justamente nos desafios do puerpério, após o nascimento da filha — convivendo ora com a solidão, ora com o amor incondicional — que a escritora despertou para aquilo que mais ansiava: a própria voz narrativa.

“O mais interessante é que eu não escrevia pensando em publicar.” A escrita surgiu naturalmente, como uma forma de nutrir a si mesma enquanto amamentava a filha. “Escrever sempre foi uma forma de lidar com aquilo que eu não entendo, com a dor que eu sinto”, revelou.

Fotografia com a escritora Giovana Madalosso durante palestra

Sobre Vivências

Em uma fala envolvente, Giovana Madalosso também refletiu sobre liberdade criativa, os desafios do feminino e da maternidade, dores, amores e o desejo de tocar o coração dos leitores. O evento mobilizou centenas de pessoas: foram 130 que compareceram ao Plenário Pedro Ribeiro Tavares, na sede do TRT-PR, e mais de 500 que acompanharam a transmissão ao vivo pelo YouTube.

A participação da escritora foi um dos momentos marcantes, na tarde da última terça-feira (10/3). A celebração do Dia Internacional da Mulher contou ainda com outras duas convidadas de trajetórias relevantes no evento “Sobre Vivências”, promovido pela Escola Judicial do TRT-PR, com apoio do Ministério Público do Trabalho, da Associação da Advocacia Trabalhista do Paraná, da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Paraná e da Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região.

Direito

O sentido da vida e a importância de um constante reinventar foram alguns dos temas abordados pela jurista e professora Aldacy Rachid Coutinho. Ela também refletiu sobre o feminicídio, a violência crescente contra as mulheres e os desafios no campo jurídico.

“O Direito, enquanto organização da sociedade, deve refletir e dar resposta aos valores que pretende defender. E não há valor mais importante do que a dignidade, acompanhada da liberdade e da igualdade”, destacou.

A jurista também chamou a atenção ao analisar textos do poeta Fernando Pessoa (1888–1935), que apresentam visões misóginas e antifeministas em sua prosa, e ao ressaltar a responsabilidade coletiva na construção de uma sociedade mais inclusiva e representativa.

“Não é uma pauta das mulheres, é uma pauta de todos nós.” A jurista deixou um convite para todas as mulheres: “Encontrar a própria identidade e se sentir autêntica é viver a vida com a dignidade que ela merece. Viver uma vida interessante, sem medo.”

foto da jurista e professora Aldacy Rachid Coutinho

Realidade

Goretti Bussolo, fundadora do Instituto Todas Marias, trouxe ao centro do debate a realidade da violência enfrentada por muitas mulheres e compartilhou sua própria história, marcada por um estupro coletivo e por importantes conquistas posteriores. Ela foi a primeira mulher a obter uma medida protetiva no Paraná e, mais tarde, fundou o instituto que hoje acolhe outras vítimas.

“Procurei oferecer às mulheres aquele acolhimento que tanto me faltou quando fui vítima da violência, ainda menina”, relatou.

Para a ativista, o feminicídio é o grito mais cruel de uma cultura que ainda teme a autonomia feminina. Goretti foi muito aplaudida ao costurar seu discurso com intervenções provocativas e momentos de canto, expressões que se complementaram para tocar o coração da plateia.

“Nós todas somos um pouco Maria. Pela cor do batom, pela echarpe vermelha.” Ao final, deixou um convite às mulheres: “Que nunca lhes convençam de que querer dignidade é ousadia demais. Vocês não nasceram para caber, nasceram para existir.”

Foto da Goretti Bussolo, fundadora do Instituto Todas Marias

Vozes femininas

O evento reuniu outras vozes femininas que participaram da mesa de abertura, entre elas a diretora da Escola Judicial do TRT-PR, Thereza Cristina Gosdal; a vice-procuradora-chefe da Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região, Marília Massignan Coppla; a presidente da Comissão de Direito do Trabalho da OAB Paraná, Giovanna Lepre Sandri; a juíza Sandra Cristina Zanoni Cembraneli Correia, representando a Associação dos Magistrados do Trabalho da 9ª Região; e a vice-presidente da Associação da Advocacia Trabalhista do Paraná, Ana Paula Pavelski.

Fotografia de 8 mulheres em pé lado a lado
A partir da esquerda: Giovanna Lepre Sandri, presidente da Comissão da
Advocacia Trabalhista da seccional; Ana Carolina Bendlin, assessora de comunicação
MPT; dra. Tatyana Friedrich, professora da UFPR; a desembargadora Thereza Cristina
Gosdal, diretora da Escola Judicial; a escritora Giovana Madalosso; juíza Simone Galan
Figueiredo, coordenadora pedagógica da Escola Judicial; Goretti Bussolo, fundadora do
instituto Todas Marias; e a juíza titular da Vara de Arapongas,
Sandra Cristina Zanoni Cembraneli Correia.

Serviço

Assista à gravação do evento “Sobre Vivências – Diálogos entre literatura, direito e realidade” aqui

Texto: Patrícia Thomaz / Ascom

Fotografias: Luiz Renato Munhoz/ Ascom